A lenta evolução da vacinação contra o COVID-19 impactará as previsões mais otimistas para o mercado cinematográfico em 2021, podendo prejudicar ainda mais a já cambaleante indústria.

O desejo agora é que laboratórios, governos e a população se encontrem e haja equilíbrio nas ações, para não alterar a visão positiva dos Exibidores e Distribuidores, em relação a distribuição constante de vacinas para o público em geral, tendo como resultado mais pessoas indo aos cinemas e a manutenção das datas de lançamento dos filmes.

A Sony adiou novamente o filme “Morbius”, transferido de sua estreia em março para outubro. A expectativa é que outros estúdios sejam obrigados a seguir o mesmo caminho e os analistas de Hollywood já especulam sobre quais filmes serão os próximos – “No Time to Die”, “Quiet Place” e “Black Widow” – são os destaques desta especulação.

Ainda é importante ressaltar as decisões da Warner Bros., onde todos os seus filmes chegarão aos cinemas e à HBO Max no mesmo dia. A Disney também planeja lançar “Raya and the Last Dragon” nos cinemas e por US$ 30 na Disney+ em 5 de março.

Fruto disso a previsão de bilheteria do primeiro trimestre cairá mais de 90% em relação ao ano passado. O segundo trimestre deve se recuperar ligeiramente, ficando entre 50% e 60%.

Nós temos que torcer e acompanhar a vacinação, não só no Brasil, mas também nos EUA, pois apenas com o procedimento satisfatório por lá é que teremos os lançamentos caminhando por aqui e em todo o mundo.

Fica a esperança de que no segundo semestre o Sol volte a brilhar e no terceiro semestre os filmes voltem acelerando aos cinemas.

No lado da Saúde, o Dr. Anthony Fauci está otimista com a reabertura dos cinemas, apesar dos picos de Covid em todo os EUA e de um lançamento de vacina decepcionantemente lento, o Dr. Fauci ainda reiterou sua crença de que os teatros, também possam reabrir no segundo semestre de 2021. Os comentários de Fauci foram consistentes com as declarações que ele fez no início do mês passado, quando disse à NBC que o lançamento de uma vacina no primeiro trimestre poderia permitir que a Broadway reabrisse seus palcos no final do segundo trimestre. Como ele observou em dezembro, porém, as possíveis reaberturas dependerão de vacinas generalizadas, com um nível efetivo de imunidade coletiva entre 70% a 85% da população sendo vacinada. Fauci advertiu, no entanto, que o público pode esperar continuar usando máscaras no futuro imediato, e que os locais podem considerar exigir que os membros do público mostrem provas de resultados negativos do teste da Covid. Ele também incentivou os proprietários do local a examinar os sistemas de ventilação e fazer as melhorias adequadas no fluxo de ar.

Olhando para o streaming, a Netflix anunciou que em 2021 lançará 70 novos filmes originais – quase 50 a mais do que o concorrente mais próximo, a Disney. Enquanto durar a pandemia, a Netflix dominará a indústria, lançando mais filmes – com mais estrelas – do que muitos de seus rivais juntos. A Netflix consegue fazer isso porque, ao contrário das Majors, muitos dos filmes que lança não são produzidos internamente, mas adquiridos de outras empresas.

As Majors estão impotentes para competir com a produção da Netflix, onde é, ao lado da Amazon, uma distribuidora de filmes praticamente imune aos efeitos da pandemia. O serviço de streaming da Disney está prosperando, mas seus outros negócios enfrentam dificuldades.

É esperada a recuperação dos cinemas e das Majors, além dos demais estúdios, podendo assim reduzir a participação no mercado de conteúdo da Netflix.

Mesmo com a retomada gradual do mercado, bem como as esperadas movimentações de aquisições e adequações, tudo deixa claro que o cenário da indústria cinematográfica mudou definitivamente, as regras do jogo mais ainda, portanto para sobreviver e prosperar será necessário um esforço numa nova direção. A experiência das salas de cinema evoluirá como tem feito nas últimas décadas, a diferença é que dessa vez Exibidores e Distribuidores seguem por caminhos paralelos, na mesma direção, mas com objetivos distintos ou não, dependendo do momento.

 

Luiz Fernando Morau, sócio e CEO da Equinox Digital.

 

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